Com Amor, Van Gogh

COM AMOR, Van Gogh | Uma homenagem em forma de obra-prima

Fazer arte apenas com objetivos artísticos é um trabalho árduo, que deve ser reconhecido e admirado. A arte pela arte é a melhor forma de seduzir o espectador porque ela trabalha em prol de uma estética que é capaz de atingir os níveis sociais, críticos, sentimentais e psicológicos tornando-se, ao final da sessão, um fator de mudança para as pessoas. A animação biográfica Com amor, Van Gogh (originalmente chamada Loving Vincent) põe em prática todas essas características tornando-a uma obra cinematográfica magnífica.

O enredo do filme se inicia em 1891, um ano após a morte de Vincent van Gogh, é encontrada uma carta de Vincent para o irmão Theo. Armand Roulin (Douglas Booth), o filho do carteiro, é incentivado por seu pai, Josesh Roulin (Chris O’Dowd), amigo do artista, a iniciar uma missão para entregar a última mensagem de Vincent ao irmão. Após iniciada sua jornada em busca de Theo van Gogh, Armand nunca imaginaria que sua busca seria completamente redirecionada. Ao conversar com todos que conheceram Van Gogh, o filho do carteiro é atraído por um desejo incessante de entender se a morte do pintor foi, de fato, um suicídio.

O simples mencionar da ideia geradora do novo projeto da BreakThru Productions e Trademark Films causou um frenesi ao redor do mundo. Todos os fãs de arte – sejam da terceira ou sétima – ansiaram pela estreia de Com Amor, Van Gogh, uma vez que ela traria um novo olhar sobre a vida, morte e o patrimônio artístico do brilhante pintor. Através de uma inovação no campo das animações, os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman apresentam ao público um filme feito completamente com tinta a óleo.

A obra-prima é uma bela e cuidadosa homenagem à memória e ao legado de Vincent, que passou pelas pinceladas de 125 artistas diferentes, dando ao trabalho final um aspecto impecável.

A produção é capaz de encantar o público em sua totalidade, fazendo dela, portanto, algo que vai muito além de um filme para amantes da pintura ou fãs do Vincent; Com amor, Van Gogh é uma obra que enaltece a arte e cria uma fagulha de vislumbre acerca da própria arte. Há um cuidado ao introduzir o trabalho do pintor de maneira palpável e dinâmica para que o público se sinta, em sua totalidade, envolvido pela história. E foi justamente por ter uma execução visual magistral, inovadora e impecável que a película foi vitoriosa em diversas categorias e premiações e agora concorre, na categoria de “Melhor Animação”, a um dos mais esperados prêmios do ano: o Oscar.

Assistir ao produto final de Kobiela e Welchman é, portanto, uma aula de história da arte; uma viagem no tempo; um excitante mistério, além de ser também uma sessão de beleza visual sem fim. O conjunto artístico – tanto por parte dos pintores quanto dos atores – acrescido de uma história interessante e curiosa faz com que qualquer deslize existente na produção seja ignorado. 

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Escrito por Felipe Aguiar

Estudante de jornalismo curioso e apaixonado por história. Cinéfilo de carteirinha que ama o universo da sétima arte e deseja sempre estar ainda mais imerso nesse mundo.